O deputado federal José Guimarães, líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Câmara, vive um dos momentos mais delicados de sua trajetória política no Ceará. O que antes era tratado nos bastidores como um projeto ousado — disputar uma vaga ao Senado — hoje parece cada vez mais distante da realidade eleitoral.
Nos corredores da política cearense, o comentário é quase unânime: o nome de Guimarães não empolga, não agrega e encontra forte resistência dentro e fora do próprio partido. A recente visita do parlamentar ao município de Araripe, onde participou de encontro regional com lideranças, foi vista por aliados e adversários como um termômetro preocupante. O evento, que deveria consolidar força política, acabou sendo considerado por muitos um fracasso de mobilização e articulação.
Falta de Habilidade Política e Isolamento
Analistas apontam que, apesar de ocupar posição estratégica em Brasília, Guimarães não conseguiu transformar o prestígio institucional em capital político no estado. Sua atuação é frequentemente criticada pela falta de habilidade no diálogo com lideranças municipais e pela dificuldade em construir alianças sólidas no interior.
Nos bastidores, prefeitos e vereadores evitam declarar apoio público ao projeto de Senado. Muitos já estão alinhados com outros nomes mais competitivos, temendo apostar em uma candidatura considerada frágil.
Escândalos no Passado Ainda Pesam
Outro fator que volta à tona quando seu nome é citado para cargos majoritários são episódios controversos do passado. O caso que envolveu seu assessor no chamado “escândalo dos dólares na cueca” ainda é lembrado por adversários como símbolo de desgaste político. Embora Guimarães tenha mantido sua carreira e conquistado sucessivos mandatos, a lembrança do episódio é frequentemente resgatada em momentos estratégicos.
Para uma disputa ao Senado — cargo que exige densidade eleitoral em todo o estado — esse tipo de histórico pesa ainda mais.
Risco Real Até na Reeleição
O cenário é tão adverso que aliados admitem, em conversas reservadas, que até mesmo uma tentativa de reeleição para deputado federal pode se tornar arriscada. Seus tradicionais colégios eleitorais já apresentam novos nomes disputando espaço, muitos deles com maior presença local e articulação direta com as bases.
Caso insista no projeto ao Senado e recue de última hora, poderá encontrar terreno já ocupado na disputa proporcional. E, na política, espaço vazio é rapidamente preenchido.
Um Projeto Que Se Esvazia
O sonho de alcançar o Senado parece, a cada dia, mais distante. A falta de mobilização popular, a resistência interna e o desgaste acumulado formam um cenário de incerteza.
A grande pergunta que ecoa nos bastidores é: insistir na “loucura” de uma candidatura ao Senado pode representar o maior erro estratégico de sua carreira?
Redação TRIBUNA LIVRE CARIRI
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