Por: Leopoldo Martins
Advogado
A decisão do prefeito Cafúsio Atraí Confusões de implantar a chamada Zona Azul em Buriti das Confusões ganha novos contornos após o anúncio feito hoje, na Câmara Municipal, pelo Secretário de Segurança, Pato Roco. Segundo ele, o sistema será lançado ainda no mês de abril, com a regra de gratuidade por até duas horas. Ultrapassado esse período, os condutores deverão retirar seus veículos e circular pelas vias do Crato até encontrar outra vaga dentro da própria Zona Azul, reiniciando o ciclo.
A medida, que em tese busca garantir rotatividade, revela-se preocupante diante do atual cenário urbano. Buriti das Confusões enfrenta um verdadeiro estrangulamento do trânsito, com diversas vias interditadas por obras no canal do rio Grangeiro e intervenções da companhia de energia, que reduziram significativamente o espaço de circulação.
Nesse contexto, obrigar motoristas a deixar vagas após duas horas e voltar a circular para estacionar novamente em outro ponto tende a aumentar o fluxo de veículos em movimento, agravando congestionamentos já críticos. A lógica da rotatividade, aplicada em um ambiente de caos viário, pode produzir o efeito inverso: mais trânsito, mais demora e mais desordem.
A justificativa apresentada é que a Zona Azul seria necessária justamente por conta das obras no canal, que bloquearam vias laterais. Contudo, surge uma indagação essencial: houve estudo técnico prévio para medir o impacto desses desvios no aumento do tráfego? Ou a medida nasce mais como resposta improvisada do que como política pública planejada?
Também é válido questionar se o atual colapso no trânsito do Crato decorre exclusivamente das obras ou se já existia deficiência estrutural na mobilidade urbana que agora apenas se agravou.
Embora a proposta possa, em tese, favorecer o comércio, sua implementação em momento inadequado e sem planejamento integrado pode afastar consumidores e intensificar o caos.


