Um grupo de 15 trabalhadores da construção civil foi resgatado na terça-feira, 21, em uma obra no município de Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza. A ação foi feita pelo Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil da RMF, o STICCRMF, após denúncia dos próprios operários.
Segundo o sindicato, nove dos trabalhadores são do Maranhão e seis são de Maranguape. Eles relataram que estavam há dias sem receber salário, sem alimentação regular e vivendo em alojamento em condições precárias. Também houve denúncia de ameaças de morte, o que gerou medo no grupo.
O diretor do STICCRMF, Nestor Bezerra, explicou que inicialmente os pagamentos estavam em dia. O problema, de acordo com ele, começou na semana passada, quando a empresa teria parado de fornecer comida, dinheiro e estrutura mínima para permanência no local.
Após o resgate, o sindicato convocou a empresa para negociação. A entidade informou que vai cobrar o pagamento de todos os direitos trabalhistas, o custeio do retorno dos maranhenses para o estado de origem e que vai representar o grupo junto ao Ministério Público do Trabalho e ao Ministério do Trabalho.
Em nota, o Setor de Fiscalização do Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Ceará confirmou que tomou conhecimento da denúncia nesta quarta-feira, 22. O órgão informou que o caso está sob análise e que os auditores-fiscais devem adotar os procedimentos para apurar se houve trabalho em condições análogas à escravidão.
O advogado que representa os empreiteiros contesta as acusações. Segundo a defesa, os trabalhadores foram contratados por obra certa e os pagamentos estão comprovados. Ele afirma ainda que a empresa oferecia alojamento, alimentação e água potável. A defesa garantiu que os direitos serão apurados e pagos e que arcará com o deslocamento dos trabalhadores de volta ao Maranhão.
O caso segue sob investigação das autoridades trabalhistas.
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