Legenda: Patrícia Aguiar, Nezinho Farias e Cirilo Pimenta podem disputar 5º mandato a frente das prefeituras de Tauá, Horizonte e Quixeramobim, respectivamente
Foto: Divulgação


Em nove cidades do Ceará, os eleitores deverão se deparar com um rosto bem conhecido quando chegarem às urnas no dia 6 de outubro. Nelas, os prefeitos buscam a reeleição. E, se saírem vencedores, devem dar sequência a um elevado número de mandatos à frente da prefeitura. 

Erramos: Na primeira versão desta reportagem, o prefeito de Itaiçaba, Frank Gomes, foi listado como um dos gestores que poderiam concorrer ao 4º mandato. A informação correta é que o prefeito está inelegível após ter as contas desaprovadas pela Câmara de Vereadores. 

Nos municípios de Arneiroz, Barroquinha, Maracanaú, Novo Oriente e Saboeiro, os atuais gestores municipais podem chegar ao 4º mandato, caso saíam vitoriosos da disputa eleitoral. Existem ainda prefeitos que devem concorrer ao 5º mandato no comando do Executivo municipal: Nezinho Farias (PSB), em Horizonte; Cirilo Pimenta (PSB), em Quixeramobim; e Patrícia Aguiar (PSD), em Tauá. 

Os dados são de levantamento do Diário do Nordeste com base em dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

 "Com a possibilidade da reeleição, abriu-se a possibilidade também de que determinadas figuras políticas acabem ficando muito mais tempo na frente da prefeitura", pontua a professora de Teoria Política da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Monalisa Torres.

A reeleição é um elemento relativamente novo na política brasileira. Ela foi criada apenas em 1997, por meio de Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Desde então, seis eleições municipais foram realizadas com a possibilidade dos prefeitos tentarem um segundo mandato consecutivo no cargo.   

CICLOS POLÍTICOS

Monalisa Torres chama atenção para o fato de que a reeleição não abriu margem apenas para a continuidade de uma mesma pessoa no cargo, mas também para a manutenção de ciclos políticos. 

"Por exemplo, a gente tem mandatos longos de lideranças políticas que, depois que não puderam mais ser reeleitas, elegeram os seus sucessores, e isso acaba fazendo com que o poder político naquela esfera fique concentrado nas mãos de um grupo", explica. 

Ela ressalta que, estes ciclos se caracterizam por "períodos muito longos de hegemonia política com um determinado grupo à frente (do Poder)" e pode ocorrer em qualquer instância.

É o caso de Maracanaú. Roberto Pessoa (União) esteve à frente da Prefeitura entre os anos de 2005 e 2012. Na eleição de 2012, ele elegeu o aliado Firmo Camurça (União) como prefeito da cidade. Após oito anos de gestão de Firmo Camurça, Roberto Pessoa voltou a ser eleito prefeito de Maracanaú em 2020. 

Ao final de dezembro, o grupo político liderado por Pessoa completa 20 anos à frente do Poder Executivo — poucos meses antes, em outubro, ele deve tentar ser reeleito, pela segunda vez, ao cargo. Indagado sobre essa permanência à frente da Prefeitura, Roberto Pessoa reforça que "quem resolve é Deus e o povo". "Sempre submeto meu nome, essa é a tão falada democracia", afirma. 

Segundo ele, as razões para tantas vitórias são "muito trabalho, espírito público e atender as demandas mais prioritárias do povo". "Para mim é muito importante desempenhar um papel pensando no desenvolvimento do nosso povo e da minha terra", disse.

 

DN